terça-feira, 9 de março de 2010

Hillary defende direito ao aborto em encontro em SP

Secretária de Estado americana respondeu a perguntas de universitários

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Casa Civil Dilma Rousseff recebem a secretária de Estado americana Hillary Clinton em Brasília.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que o aborto é algo "que precisa ser pensado" no Brasil. Durante uma sessão de perguntas e respostas na noite desta quarta-feira (3) com alunos da Universidade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, a chefe da diplomacia do governo Barack Obama também defendeu cotas para os negros nas universidades e criticou a falta de liberdade na Venezuela.

O encontro começou cerca de 20h30 e foi mediado pelos jornalistas William Waack e Maria Beltrão, do grupo Globo. O centro de ensino universitário é voltado à inclusão dos afro-descendentes. Segundo a faculdade, 90% de seus alunos se autodeclaram negros.

Ao falar sobre o aborto, Hillary disse ter percebido, numa visita que fez ao Brasil nos anos 90, que o direito à Saúde é negado às mulheres pobres.

- Quando fui a um hospital aqui, o médico me disse. 'Metade deste hospital é feliz e metade é triste. Metade é feliz porque as mulheres estão tendo bebês, metade é triste porque estão sendo tratadas de aborto ilegal'.

Com uma plateia repleta de estudantes, mas também de representantes de ONGs e movimentos sociais, Hillary se mostrou simpática todo o tempo. Ele até deu um autógrafo a uma das alunas e foi paparicada por um dos presentes.

Um dos aluno disse que, para ele, Hillary é "o cara", em referência à frase de Obama dirigida a Lula no ano passado. A secretária de Estado agradeceu o elogio:

- Me sinto honrada em ser o cara honorário.

Em relação à "OEA latina", como vem sendo chamado o novo grupo fundado na última semana no México que reúne os países da América Latina e do Caribe mas que exclui Canadá e EUA, ela disse que os EUA também têm sua própria turma ao citar o Nafta (EUA, México e Canadá). Ela disse que os americanos não veem a nova organização como um problema.

Hillary defendeu ainda que é preciso ter mais intercâmbio entre Brasil e EUA.

- O Brasil e os EUA são os dois países que mais se parecem no mundo. Nós somos grandes, dinâmicos e a maior parte de nós é feliz. Nós somos dois países que temos muito em comum e temos de crescer juntos.

Cotas e visita de Obama

Hillary defendeu, também, cotas para os negros nas universidades. Segundo a a secretária de Estado americana, essa política foi adotada pelos EUA no passado e foi por razões como essa que hoje o país tem um presidente negro como Obama.

- Me foi dito que mais de 50% dos brasileiros são negros, mas apenas 2% dos estudantes nas universidades são afro-descendentes.

Segundo Hillary, "algumas medidas devem ser tomadas para que esses estudantes tenham sucesso". Ela disse que "o talento é universal, mas as oportunidades não".

A secretária de Estado voltou a defender a posição dos EUA contra o programa nuclear do Irã e, obviamente, foi questionada por um dos presentes sobre quando o presidente americano virá ao Brasil:

- Eu posso lhes dizer que o presidente Obama está sendo muito convidado para vir ao Brasil. O presidente Lula disse a mesma coisa, você está fazendo o mesmo convite. Eu vou lhe comunicar esse convite.

Hillary ainda respondeu a perguntas sobre temas como o livre-comércio, a ação afirmativa, o sexismo e a responsabilidade social das empresas.

A visita ao centro universitário foi a única atividade não governamental realizada por Hillary em sua visita de dois dias ao país. A chefe da diplomacia americana passou antes pelo Uruguai, Argentina e Chile. Antes de retornar a Washington, Hillary visita a Costa Rica.

A viagem de Hillary é uma preparação da visita que presidente americano, Obama, deve fazer ao Brasil neste ano, e incluiu também paradas no Uruguai, Argentina e Chile.


Fonte: Portal R7

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