segunda-feira, 3 de maio de 2010

Brasil e Venezuela assinam acordo para enfrentar a violência contra as mulheres migrantes

Serão implantados dois centros de acolhimento às migrantes vítimas de violência, um em Pacaraim (RO) e o outro em Gran Sabana, na Venezuela

A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) , e a vice-ministra do Ministério do Poder Popular para a Mulher e da Igualdade de Gênero da Venezuela, Norma Romero, assinaram, nesta quarta-feira (28/04), em Brasília, um memorando de entendimento com o objetivo de constituir uma rede binacional integrada para atender às mulheres em situação de violência. O propósito do acordo é criar dois centros de acolhimento às mulheres migrantes que se encontrem em situação de violência, um em território brasileiro na cidade de Pacaraima, em Roraima, e outro em território venezuelano, no município de Gran Sabana.

As ações dos centros visam atender de forma humanizada as migrantes vítimas de violência. As vítimas vão passar por quatro etapas quando procurarem os serviços: acolhimento, identificação dos casos, orientação, acompanhamento e encaminhamento para serviços especializados. Cada país será responsável pelos investimentos necessários para implantação efetivação do centro em seu território.

Fonte: SPM

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Garantia dos Direitos das Mulheres em Situação de Violência é incluído no PROEXT

O objetivo é levar aos estudantes principalmente da área de direito, serviço social e psicologia conhecimento mínimo necessário às questões relacionadas ao tema.

Pela primeira vez o tema “Garantia dos Direitos das Mulheres em Situação de Violência” será incluído no Programa de Extensão Universitária (PROEXT) do Ministério da Educação (MEC). O programa realizado pelo MEC em parceria com vários Ministérios conta com a participação da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM). A inclusão do tema na grade do PROEXT tem por objetivo levar aos estudantes, principalmente, da área de direito, serviço social e psicologia, conhecimento mínimo necessário às questões relacionadas à garantia dos direitos e ao atendimento das mulheres em situação de violência, em relação às suas áreas de atuação.

Dentro do projeto serão trabalhados assuntos como conceito de violência de gênero; violência doméstica e sexual contra as mulheres; contextos de vulnerabilidade: mulheres do campo e da floresta, lésbicas, quilombolas, indígenas, negras; política nacional de enfrentamento à violência contra as mulheres; feminização da Aids; acesso a justiça; e políticas de normas técnicas das Delegacias de Atendimento à Mulher DEAMs, dos Centros de Referência da Mulher, dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e dos Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).

Fonte: SPM

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O voto das mulheres

Por Fernando Rodrigues

O voto feminino apresenta até o momento um comportamento curioso na eleição presidencial deste ano. As duas mulheres candidatas para valer na disputa, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), ainda não conseguiram usar o fator gênero para alavancar suas campanhas.

O demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, do IBGE, fez uma análise de seis pesquisas de intenção de voto deste ano -duas delas do Datafolha. Em todos os levantamentos, José Serra (PSDB) leva vantagem sobre a petista Dilma Rousseff no eleitorado feminino.

Serra e Dilma praticamente empatam quando se isola apenas o voto dos homens. Ou seja, a dianteira que o tucano continua a manter deriva da preferência maior que recebe das eleitoras mulheres.

José Eustáquio diz não saber a gênese da dificuldade de Dilma com o eleitorado feminino. Uma pista pode ser o histórico de votação de Lula: "O atual presidente do Brasil sempre teve menos votos entre as mulheres em todas as cinco eleições presidenciais que disputou".

Se tivesse conseguido a mesma proporção de apoio entre homens e mulheres, diz o especialista, Lula teria vencido no primeiro turno as eleições de 2002 e de 2006.

Há também a hipótese do machismo disfarçado, latente na sociedade brasileira -mais conservadora do que se imagina. Eustáquio diz que, conforme estuda o tema, mais dúvidas tem: "Será que o eleitorado feminino está menos propenso a votar em Dilma por um machismo do estilo "mulher não vota em mulher"? Ou, ao contrário, o eleitorado feminino resiste a Dilma por projetar na candidata um machismo que talvez atribua a Lula, como em outras eleições?".

Decifrar esse enigma sobre o comportamento do voto feminino será vital para quem quiser ganhar a eleição. O PT, Dilma e Lula ainda parecem longe de uma resposta.


Fonte: http://uolpolitica.blog.uol.com.br/

A reversão das expectativas de gênero nas eleições 2010: Dilma na frente entre os homens e Serra na frente entre as mulheres

por José Eustáquio Diniz Alves


As seis pesquisas nacionais de intenção de voto para a corrida à Presidência da República, em 2010, mostram uma clara diferenciação nas preferências de voto entre os eleitores do sexo masculino e feminino, particularmente no que diz respeito às duas candidaturas que aparecem nos primeiros lugares das preferenciais atuais do eleitorado.

O gráfico 1 mostra que tanto José Serra, quanto Dilma Roussef possuem cerca de 34% do eleitorado entre os homens, sendo que em duas das três últimas pesquisas, Dilma está à frente de Serra entre os homens. Entre o eleitorado feminino José Serra apresenta cerca de 35%, em média, das intenções de voto. Ou seja, o ex-governador de São Paulo possui um melhor desempenho entre as mulheres. Já a candidata Dilma, surpreendentemente (ou não?), possui um péssimo desempenho entre o eleitorado feminino, onde aparece com cerca de 25% das intenções de voto.

Gráfico 1: Intenção de voto nas candidaturas de José Serra
e Dilma Rousseff entre o eleitorado masculino e feminino
em seis pesquisas nacionais, Brasil: janeiro a março de 2010:



O gráfico 2 mostra que houve uma ligeira tendência de alta nas intenções de voto do eleitorado feminino tanto para Serra, quanto para Dilma, nas diversas pesquisas realizadas de janeiro a março de 2010. Isto decorre de uma maior definição do voto na medida em que os candidatos iniciam uma campanha de fato. Mas o gráfico também mostra que as duas retas de tendência estão praticamente paralelas, o que indica que José Serra mantém uma diferença constante a seu favor no eleitorado feminino.

Gráfico 2: Intenção de voto nas candidaturas de José Serra
e Dilma Rousseff entre o eleitorado feminino em seis
pesquisas nacionais, Brasil: janeiro a março de 2010



O gráfico 3 mostra que houve uma reversão das intenções de votos no eleitorado masculino. Dilma que aparecia atrás nas intenções de voto do eleitorado masculino no início do ano, superou Serra na média das últimas pesquisas. O gráfico mostra uma estabilidade de Serra e uma subida de Dilma entre os homens aptos a votar. Portanto, tem existido um comportamento diferenciado nas intenções de voto do eleitorado, segundo o sexo dos entrevistados.

Gráfico 3: Intenção de voto nas candidaturas de José Serra
e Dilma Rousseff entre o eleitorado masculino em seis
pesquisas nacionais, Brasil: janeiro a março de 2010



Em toda a história do país, Dilma Rousseff é a mulher que aparece mais bem colocada em uma disputa eleitoral para a Presidência da República. Pelo apoio que tem do Presidente Lula e pela coligação que apóia a sua candidatura, ela tem grande chance de chegar ao Palácio do Planalto. Portanto, ela tem chances reais de se tornar a primeira mulher Presidenta do Brasil. Por que então o eleitorado feminino não mostra a mesma disposição em votar nela do que o eleitorado masculino? Ou seja, por que Dilma está obtendo maior apoio entre os homens?

Parte da resposta pode ser encontrada no próprio histórico de votação da candidatura Lula, pois o atual presidente do Brasil sempre teve menos votos entre as mulheres em todas as cinco eleições presidenciais que disputou. Se o candidato Lula tivesse tido a mesma votação entre as mulheres do que obteve entre os homens, ele teria ganhado no primeiro turno, tanto em 2002, quanto em 2006. De certa forma, foram as mulheres que jogaram a decisão para o segundo turno, nas duas últimas eleições presidenciais.

Foge ao escopo deste artigo explicar porque o candidato Lula sempre teve um percentual de votos menor entre as mulheres, comparado com o apoio que sempre teve entre os homens. O fato é que, esperava-se uma diferença menor no caso da candidatura Dilma, pois sendo mulher, ela poderia haver uma maior identidade de gênero com o eleitorado feminino. Mas isto não aconteceu, pelo menos por enquanto. Cabe ressaltar que a candidata Marina possui aproximadamente o mesmo percentual de intenções de voto entre o eleitorado de ambos os sexos, inclusive com ligeira vantagem entre as mulheres.

A outra parte da explicação, do fenômeno de menor intenção de voto feminino na candidata Dilma, decorre das maiores taxas de indefinição do voto das mulheres. Uma explicação que ainda carece de melhor comprovação é que as mulheres são mais exigentes na escolha do voto (assim como são consumidoras mais exigentes). Nesta perspectiva, as mulheres teriam maiores taxas de indefinição porque gostariam de conhecer melhor as candidaturas à presidência. Desta forma, a menor percentagem de votos em Dilma Rousseff seria parte de um comportamento de precaução na escolha do voto, por parte das mulheres, em decorrência da candidata ser novata na política e pouco conhecida do público feminino.

Evidentemente, outras explicações são possíveis e só o desenrolar do processo eleitoral poderá lançar luz sobre as diferenças de gênero na escolha e definição de voto para ambos os sexos. Pesquisa realizada pelo Ibope e pelo Instituto Patricia Galvão, em 2009, mostrou que a grande maioria da população vê de maneira positiva a participação feminina na política. Mas uma intenção genérica vai se transformar em votos de fato?

Será muito interessante acompanhar como o eleitorado vai definir o seu voto, neste momento em que existem duas candidatas mulheres na disputa à Presidência, de 2010. Particularmente será interessante observar o fato, posto até o instante, de que uma proporção maior de homens manifesta intenção em votar em uma mulher e uma proporção maior de mulheres com intenção de votar em homem. Qual o significado destas tendências?

Fonte: http://uolpolitica.blog.uol.com.br/

quarta-feira, 7 de abril de 2010

9 em cada 10 brasileiros afirmam que votariam em mulheres

Os dados da pesquisa Mulheres na Política, realizada em fevereiro de 2009 pelo Ibope - Instituto Patrícia Galvão, evidenciam a distância entre o que pensam os brasileiros e a pequena presença feminina nesse universo.

Nas eleições municipais de 2008, a porcentagem de candidatas a prefeita foi de 11,38% e a de vereadoras, 22,05%. Porém, 7 em cada 10 entrevistados da pesquisa acreditam que houve aumento de candidaturas femininas para cargos municipais.

Confira os resultados na íntegra.

terça-feira, 30 de março de 2010

SPM ganha novo status na estrutura do Governo Federal

Conforme a MP nº 483, a SPM passa a ser "órgão essencial" da Presidência da República

A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) ganhou um novo status na estrutura do Governo Federal. Conforme a Medida Provisória nº 483, publicada no Diário Oficial da União, desta quinta-feira (25/03), a SPM passa a ser "órgão essencial" da Presidência da República. Também altera o nome da SPM, que passa a ser Secretaria de Políticas para as Mulheres, perdendo a palavra “especial”. Os cargos de direção mudam de denominação: em vez de secretária-especial, ministra; secretária-adjunta, secretária executiva; as três subsecretarias (Enfrentamento à Violência Doméstica, Planejamento e Articulação Institucional) agora são secretarias.

Além da SPM, a Controladoria-Geral da União (CGU) e mais três secretarias especiais (Direitos Humanos, Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Portos) passam a integrar os chamados “órgãos essenciais” - definidos na Lei nº 10.683/2003 - que já abrange a Casa Civil, Secretaria-Geral, Secretaria de Relações Institucionais, Secretaria de Comunicação Social, Gabinete Pessoal, Gabinete de Segurança Institucional e Secretaria de Assuntos Estratégicos.
Outra novidade é que os titulares das Secretarias integrarão o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Presidido pelo presidente da República, o CDES tem caráter consultivo, com a atribuição de propor as medidas necessárias para alavancar o crescimento do País.

Leia a íntegra da MP nº 483, de 24 de março de 2010.


Fonte: Secretaria de Políticas para as Mulheres

terça-feira, 23 de março de 2010

Legislação continua a discriminar mulheres em muitos países, aponta Banco Mundial

Relatório do Banco Mundial aborda diferenças de gênero em 128 países, cobrindo 6 áreas legais: acesso à instituições, uso de propriedade, busca por trabalho, taxas, construção de crédito e ida à fóruns de Justiça; apenas 20 países tem direitos iguais entre homens e mulheres.

Nova York (Estados Unidos) - O Banco Mundial lançou nessa quarta-feira o relatório "Mulheres, Negócios e Lei 2010", o primeiro documento do órgão que compara os direitos legais entre mulheres e homens.

Foram avaliadas a diferença de gênero em seis indicadores: acesso à instituições, uso de propriedade, chances de obter trabalho, impostos, construção de crédito e acesso às cortes de Justiça.

128 Países
Dos 128 países analisados, apenas 20 oferecem oportunidades iguais para homens e mulheres. Quatro estão na América Latina: República Dominicana, Peru, Porto Rico e Uruguai. Hong Kong, Canadá, Portugal e Estados Unidos também são alguns dos países onde há igualdade de gênero.
O relatório do Banco Mundial aponta para o reflexo que essas diferenças causam na vida profissional de mulheres pelo mundo. Na República Democrática do Congo, por exemplo, mulheres casadas precisam obter autorização do marido antes de assinar um contrato de trabalho.

Aposentadoria
Nos Emirados Árabes, as mulheres não tem o direito de trabalhar durante a noite. Em outros países, como no Brasil, as mulheres devem se aposentar mais cedo do que os homens.
Segundo o Banco Mundial, a diferença de gênero nas leis trabalhistas algumas vezes tem a intenção de proteger as mulheres. Mas a autora do estudo, Rita Ramalho, disse à Rádio ONU, de Washington, que o efeito acaba sendo o contrário.

"Se as mulheres tem que entrar no período de aposentadoria mais cedo do que os homens, é natural que os empregadores, quando vão promover alguém, prefiram promover a carreira do homem que vai ficar na empresa mais tempo do que a mulher. Apesar de ser uma medida que inicialmente tem a intenção de proteger e dar mais benefícios à mulher, pode na prática tornar a vida da mulher mais difícil e diminuir o rendimento da mulher", explicou.

Segundo Rita Ramalho, o relatório "Mulheres, Negócios e Lei" deverá ser lançado anualmente.


Fonte: Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM)

Ministras do Mercosul e Estados Associados enviam carta à ONU

No documento elas agradecem a criação de nova entidade autônoma que tratará sobre equidade de gênero e empoderamento das mulheres


As ministras responsáveis pelas políticas públicas de gênero nos países que compõem o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e Estados Associados encaminharam na semana passada uma Carta Conjunta da Reunião Especializada da Mulher do Mercosul (REM) ao Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon.

Sob a liderança da ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) do Brasil, a carta também foi assinada por Glória Rubin do Paraguai, Carmen Beramendi do Uruguai, e Magdalena Faillace, da Argentina e ministros e ministras de políticas públicas de gênero da Bolívia, Chile e Peru, Estados Associados ao Mercosul.

No documento as ministras agradecem ao Secretário-Geral a aprovação da Resolução A/RES/63/311 pela Assembléia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU), em reunião realizada no dia 14 de setembro de 2009, que criou uma nova entidade autônoma para tratar da equidade de gênero e do empoderamento das mulheres.

A entidade terá como objetivo criar uma estrutura mais significativa para a implementação de políticas para as mulheres que deverá garantir presença significativa nos países, movimentando recursos mais ambiciosos para a defesa dos direitos humanos das mulheres em todo o mundo.
Na Assembléia foi definida a missão, a meta, a estrutura organizacional, a fonte de financiamento e a junta executiva responsável pela atividade operacional. Após a aprovação do documento, discussões estão sendo realizadas pelos países-membros da ONU para dar prosseguimento e efetivar a implantação da entidade.

Composição
Organismos já existentes - Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para as Mulheres (UNIFEM), Divisão da ONU para o Avanço das Mulheres (DAW), Escritório de Assessoria Especial para Questões de Gênero (OSAGI) e Instituto Internacional em Pesquisa e Treinamento para o Avanço das Mulheres (INSTRAW) – passarão a compor a entidade criada, bem como, transporão seus os compromissos e bens/ativos para a mesma.


Fonte: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres - SPM

sexta-feira, 12 de março de 2010

Presidente Lula anuncia criação do Memorial da Mulher Brasileira

Protocolo de intenções para elaboração do projeto foi assinado entre a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e a Petrobras

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou nesta segunda-feira (8/3), Dia Internacional da Mulher, a criação do Grupo de Trabalho do Memorial da Mulher Brasileira, iniciativa do governo federal que será coordenada pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM). Na ocasião a Secretaria e a Petrobras assinaram protocolo de intenções para elaboração do projeto. O anúncio foi feito na Estação da Leopoldina, no Rio de Janeiro.

O Memorial da Mulher Brasileira é um espaço de caráter museológico e documental que deverá ter sede no Rio de Janeiro e abrigará a memória de realizações de brasileiras notáveis na história do país. “O Memorial vai resgatar a trajetória dessas mulheres e sua participação no desenvolvimento econômico, social e cultural da nação brasileira”, destacou a ministra Nilcéa Freire.

Durante o evento na Estação Leopoldina, a Petrobras exibiu uma das Unidades Móveis de Treinamento que percorrerão 23 estados e 638 municípios do país, nos próximos quatro anos, treinando frentistas e, em parceria com a SPM, realizando campanha sobre a igualdade de gênero e o combate à violência contra a mulher e tendo salas de aula adaptadas para funcionar como posto de atendimento a mulheres vítimas de violência.


Fonte: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres - SPM

quinta-feira, 11 de março de 2010

Marcha com três mil integrantes marca 100 anos do Dia Internacional da Mulher

O objetivo da ação é conquistar avanços e melhorias para a vida das mulheres brasileiras, denunciar o capitalismo patriarcal e expressar solidariedade com as mulheres de todo o mundo.


Desirèe Luíse,


O 8 de março deste ano marca os cem anos do Dia Internacional da Mulher. Por isso, no Brasil, três mil mulheres começam, nesta segunda-feira (08), uma marcha, que sai de Campinas e chega a São Paulo, no dia 18 deste mês. O ato faz parte da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, que acontece ao longo de 2010 e conta com a participação de mulheres de todas as Regiões do país, do campo e da cidade.

O lema deste ano é “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!”. O objetivo da ação é conquistar avanços e melhorias para a vida das mulheres brasileiras, denunciar o capitalismo patriarcal e expressar solidariedade com as mulheres de todo o mundo.

Miriam Nobre, da Marcha Mundial das Mulheres, falou sobre a importância de ações que visam os direitos femininos.

“Nós sabemos que cada vez mais as mulheres sustentam sozinhas suas famílias, e [é preciso] poder decidir a melhor forma de como fazer isso. Quer dizer, tendo empregos com qualidade, com direitos, com salário justo ou então tendo condições de produzir, no caso das mulheres que vivem no campo, das artesãs, das comerciantes. Que elas possam trabalhar em boas condições e viver do seu trabalho.”

A 3ª Ação Internacional será baseada em quatro campos de atuação: autonomia econômica das mulheres, bens comuns e serviços públicos, paz e desmilitarização e violência contra a mulher.

A Marcha Mundial das Mulheres é um movimento feminista internacional que nasceu no ano 2000, a partir de uma mobilização que reuniu mulheres de todo o mundo. Em 2005, a Marcha organizou sua 2ª Ação Internacional para divulgar a proposta de um mundo sem machismo e opressão.


Fonte: Radioagência NP

7 anos em 7 minutos - Nilcéa Freire (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres)

Programa da série que vai mostrar as principais ações do governo federal em sete anos por meio de depoimentos de sete minutos dos ministros de Estado.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Os 100 anos do Dia Internacional da Mulher

O Globo Online - Março de 2010


A igualdade entre homens e mulheres é um processo em permanente construção. No centenário do Dia Internacional da Mulher, comemorado este ano, devemos celebrar as conquistas e vitórias já alcançadas pela luta feminista. A data oferece uma oportunidade para refletirmos sobre o lugar ocupado pelas mulheres na sociedade ocidental e, principalmente, no Brasil. O movimento feminista conseguiu, no último século, dar visibilidade à luta contra o sexismo, questionando a inferiorização e a subordinação das mulheres, personagens tradicionalmente esquecidas em nossa história.



Especialmente a partir das lutas travadas na década de 70, os direitos das mulheres - de existir com dignidade, de ter uma propriedade, de acesso à educação e ao trabalho, de votar e ser eleita, de participar de espaços de poder e decisão, de ser dona do seu próprio corpo, de viver livre de violência e em igualdade de condições com os homens - foram, em maior ou menor medidas, reconhecidos. Agora, o desafio é garantir que esses direitos fundamentais sejam integralmente vividos e partilhados por todas.



No Brasil, as mulheres já são 51,3% da população. Isso se deve à sobremortalidade masculina adulta, especialmente negra, e à queda nas taxas de mortalidade feminina relacionadas à gravidez, parto e pós-parto. A queda na taxa de fecundidade, por sua vez, vem alterando a taxa de reposição populacional e traz uma profunda transformação na vida das mulheres. Outra mudança, significativa, foi o aumento da participação feminina no mercado de trabalho. No entanto, de acordo com a PNAD/IBGE de 2008, a inserção econômica de 43% das mulheres ocupadas estava em postos de trabalho com menor nível de proteção social e mais vulneráveis.



O trabalho doméstico ainda é a principal ocupação das mulheres, principalmente das mulheres negras. A baixa formalização e a falta de reconhecimento dos direitos dessas trabalhadoras ainda são desafios a serem superados. Elas são responsáveis por uma atividade de importância crucial para toda a sociedade, o trabalho do cuidado e de reprodução das famílias. Aliás, este mesmo trabalho quando executado de forma não-remunerada não é considerado atividade econômica, reforçando a invisibilidade e a desqualificação do trabalho doméstico em nossa sociedade.



De acordo com estudo da Organização Internacional do Trabalho, as mulheres trabalham cinco horas semanais a mais do que os homens. Elas têm uma jornada total semanal de 57,1 horas, contando com 34,8 horas semanais de trabalho e mais 20,9 horas de atividades domésticas. Já os homens têm uma jornada total de 52,3 horas semanais, sendo 42,7 horas de jornada de trabalho e 9,2 horas semanais de atividades domésticas.



Arrumar a casa, cuidar dos filhos e dos idosos devem ser responsabilidades compartilhadas entre homens e mulheres, sob pena de sobrecarregar algum dos lados. E estes devem ser apoiados por políticas de Estado que assegurem, também, as condições para a reprodução da vida. Por isso, as discussões sobre o aumento da licença-maternidade (e da licença paternidade ou parental) e a adoção de ações afirmativas de gênero devem ser consideradas em conjunto pelos governantes e pela sociedade civil.



Apesar dos desafios, registram-se avanços. As mulheres elevaram a taxa de escolaridade e, nos últimos anos, observa-se uma tendência contínua, ainda que lenta, de redução do hiato salarial existente entre trabalhadores e trabalhadoras. Esta conquista deve-se à política de valorização do salário mínimo e às políticas sociais de transferência de renda. Outra vitória são os importantes passos que vem sendo dados, com ampla participação da sociedade, no sentido da erradicação de todas as formas de violência contra as mulheres. Ainda temos elevados percentuais de violência doméstica no país, mas observa-se que uma importante mudança cultural vem sendo operada desde a sanção da Lei Maria da Penha. O Relatório Global do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) classificou esta legislação como uma das três mais avançadas para enfrentamento à violência contra as mulheres no mundo.



Paulatinamente se constituiu uma poderosa narrativa de desconstrução das desigualdades históricas entre homens e mulheres, a partir da denúncia da invisibilidade do trabalho das mulheres no espaço doméstico e do questionamento da sua posição secundária na sociedade. A equidade de gênero tornou-se uma questão de Estado e a formulação das políticas para sua conquista conta com uma forte e ampla participação social. Mas é preciso ter em mente que o princípio de igualdade entre homens e mulheres deve ser compartilhado por toda a sociedade e isso exige a participação de todos e todas em um permanente exercício de respeito a alteridade e de construção da cidadania.



Nilcéa Freire

Ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Presidência da República

terça-feira, 9 de março de 2010

Quem fez a notícia em 2010?

Relatório preliminar do Projeto Global de Monitoramento de Mídia de 2010

gmmp_wacc_capa2Somente 24% das pessoas vistas, ouvidas ou a respeito de quem se lê nas notícias são mulheres. Essa é uma das principais revelações do Projeto Global de Monitoramento de Mídia de 2010 (2010 Global Media Monitoring Project - GMMP). O relatório preliminar foi divulgado em 2 de março de 2010, em um painel de discussões e debates, por ocasião da 54ª sessão da Comissão da ONU sobre a Condição da Mulher, em Nova York.

10 de novembro de 2009 foi um dia comum de trabalho para o pessoal das salas de notícias ao redor do mundo. Foi, contudo, um dia especial para grupos voluntários em 130 países em todo o mundo, que estavam debruçados sobre seus jornais de circulação nacional, atentamente ouvindo notícias no rádio e assistindo de perto à televisão local. Com lápis e códigos nas mãos, o objetivo era observar, analisar e documentar achados com relação a indicadores de gênero em notícias, para o Projeto Global de Monitoramento de Mídia - a maior pesquisa e iniciativa mundial de gênero na mídia noticiosa. O propósito do projeto é fazer surgir uma representação de gênero justa e equilibrada na mídia noticiosa.

Os resultados contidos no relatório são preliminares, baseados em uma amostragem de 42 países na África, Ásia, América Latina, no Caribe, nas Ilhas do Pacífico e na Europa. Os resultados incluem 6.902 itens de notícias e 14.044 tópicos de notícias, incluindo pessoas entrevistadas nas notícias.

Edouard Adzotsa, Secretário Geral do Sindicato dos Jornalistas da África Central e Coordenador do GMMP no Congo Brazzaville, observou, durante o monitoramento naquele dia, que "a mídia noticiosa parece servir a interesses masculinos; a atenção às mulheres é extremamente negligente, apesar de as mulheres estarem em maior número, nacionalmente; as mulheres são a vida das comunidades, particularmente em assentamentos informais e em áreas rurais."

Dentre os principais resultados estão:

- 24% das pessoas entrevistadas, ouvidas, vistas ou a respeito de quem se lê em transmissões principais e notícias impressas são mulheres; somente 16% de todas as matérias concentram-se especificamente em mulheres.

- As mulheres quase atingiram a igualdade, ao fornecer opinião em matérias. Entretanto, menos de um dentre cinco especialistas entrevistados é mulher, e homens predominam fortemente como testemunhas e relatores de experiências pessoais em matérias.

- Quase metade (48%) de todas as matérias reforça estereótipos de gênero, enquanto 8% das matérias questionam estereótipos de gênero. As mulheres em noticiários são identificadas por seus relacionamentos familiares (esposa, mãe, filha), cinco vezes mais que os homens.

- Em geral, há bem menos matérias apresentadas por repórteres femininas, do que por repórteres masculinos. Matérias apresentadas por repórteres femininas têm consideravelmente mais focos em temas femininos, do que as matérias apresentadas por repórteres masculinos, e questionam estereótipos de gênero quase duas vezes mais do que matérias de repórteres masculinos.

- O estudo revela, em geral, que as mulheres permanecem extremamente sub-representadas na cobertura de notícias, em comparação com os homens, resultando em notícias que retratam um mundo em que as mulheres são altamente ausentes. A pesquisa também mostra a escassez de visões e opiniões de mulheres, em comparação com perspectivas masculinas, nos principais noticiários.

Abebech Wolde, da Associação Etíope de Mulheres da Mídia e Coordenadora da GMMP, na Etiópia, disse: "Esperamos que nosso estudo a respeito da representação de gênero na mídia seja levado a sério por quem tem o poder nesses veículos."

Uma comparação com os resultados das três últimas edições do GMMP, realizadas a cada cinco anos desde 1995, mostra sinais de mudanças em direção a notícias equilibradas e sensíveis no tocante a gênero. Matérias com temas femininos aumentaram de 17% para 24%, nos últimos 15 anos. A opinião popular em notícias agora chegou quase à igualdade, se comparado com 2005, quando em 66%, a opinião popular era majoritariamente prestada por homens.

Aidan White, Secretário Geral da Federação Internacional de Jornalistas (International Federation of Journalists - IFJ), declarou, na publicação do IFJ denominada "Alcançando o Equilíbrio: Igualdade de Gênero no Jornalismo" ("Getting the Balance Right: Gender Equality in Journalism"), que "um retrato de gênero justo é uma aspiração profissional e ética, similar ao respeito por precisão, justiça e honestidade".

O Projeto Global de Monitoramento de Mídia é coordenado pela Associação Mundial para a Comunicação Cristã (World Association for Christian Communication - WACC), uma ONG internacional com escritórios no Canadá e no Reino Unido, que promove comunicação em prol de mudanças sociais, em colaboração com o analista de dados Media Monitoring Africa, da África do Sul. A Gender Links, também sediada na África do Sul, forneceu assessoria para o aprimoramento das ferramentas de monitoramento e da metodologia. Os voluntários que participaram do dia do monitoramento incluem ativistas das áreas de gênero e mídia, grupos de comunicação de base, pesquisadores/as universitários/as e estudantes de comunicação, profissionais de mídia, associações de jornalistas, redes de mídia alternativas e grupos religiosos. O projeto é apoiado pelo Unifem - Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher.

press-release-whomakestheneO relatório preliminar está disponível em inglês em http://www.whomakesthenews.org/

Sumários executivos estão disponíveis em inglês, francês e espanhol. Relatórios globais, regionais e nacionais finais serão publicados em setembro de 2010.

No Brasil, a coordenação ficou a cargo de Sandra Duarte de Souza (Universidade Metodista) e Vera Vieira (Rede Mulher de Educação e Associação Mulheres pela Paz). Em breve, será divulgado um artigo específico sobre o relatório brasileiro, que não foge aos resultados mundiais.

Fonte: WACC - World Association for Christian Communication

Tradução: Luana Yoko Vieira Komatsu



Fonte: Instituto Patrícia Galvão